Um museu para celebrar amizades

Publicado em 27 de novembro de 2019

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Na Linha Sete de Setembro, Irati - SC, localidade onde a Cooperalfa manteve filial até 2006, um museu vem chamando a atenção da população local: o Museu dos Amigos.  Desde a década de 1990, seu Luiz e dona Carmelinda  Biffi vem guardando objetos que eles consideram importantes para a valorização da história da agricultura e da região.

Luiz e Carmelinda vieram de Marau-RS, no ano de 1963 para a região oeste de Santa Catarina, hoje Irati, na época Quilombo. “Faziam muita propaganda que aqui era a vida do futuro, só vir que tinha “salame nas árvores, pesca e caça e a vontade”, lembra Carmelinda rindo. O casal não esquece que a terra era pouca (um alqueire) e quando chegaram, era tudo mato sem nenhuma edificação. “Por mais de um ano moramos num paiol emprestado. E para ter o que comer, a gente trabalhava por dia em troca de comida. Mas aos poucos fomos derrubando o mato, fazendo roça, construímos uma casinha e fizemos a vida”, acrescenta Luiz.

Em meio as dificuldades, também tinham que lidar com comerciantes que exploravam os colonos. Para sorte dos produtores, chegou em Irati, em 1977, uma filial da Cooperalfa. Luiz aceitou o chamado do então gerente Ildo Mezzomo para fazer parte da cooperativa. “Lembro bem que ele andou por todo o interior buscando levar sócios para a cooperativa. Sempre que a gente precisava de um adiantamento até a safra, ele nos ajudava. Ter a cooperativa de apoio era muito importante para nós pequenos agricultores, que tínhamos pouco recurso”, ressalta Luiz.

Dos oito filhos que o casal teve, Elio é hoje o sucessor, ao lado da nora Loreni e do neto Jeferson. “Eu saí de casa na terrível década de 1990, porque na agricultura não conseguíamos nos sustentar. Mas graças a Deus tivemos a oportunidade de voltar em 2007 e continuar a trajetória que meus pais começaram com tanto sacrifício”, observa Elio.

Foi de Elio e a ideia de construir um museu. Seu entusiasmo começou pelo gosto que o pai tinha de guardar coisas antigas. “Um dia, depois de vender um caminhão de ferro velho, o pai resolveu começar a guardar as ferramentas, para os netos saberem como era o trabalho no tempo do avô”, comenta Elio. Os primeiros objetos foram guardados no porão, mas como não era o local adequado, resolveram construir um espaço para tal fim. Boa parte da estrutura foi doada por amigos, que queriam ver o sonho da família se realizar.

Além dos objetos que eles já tinham, foram também pedindo aquilo que os amigos e vizinhos não queriam mais. “Hoje em dia, como já sabem que gostamos de objetos históricos, muita gente vem fazer doações. E o mais importante de tudo é que este espaço se tornou um lugar para reunir amigos e conversar. Não passa uma semana sem um encontro. É quase um dia sim, o outro também”, diz orgulhoso Elio. Um exemplo é o vizinho Ivo Dal Magro, que no dia da entrevista estava lá e doou vários objetos do seu pai, dentre eles, uma espingarda. 

Já são mais de 500 peças no espaço, que em apenas um ano após a construção se tornou apertado. Uma ampliação está nos planos da família que inclusive está recebendo turmas de escolas, que querem conhecer o local.  “Eu tenho muito orgulho do nosso museu. As coisas que para os outros não servem, eu dou muito valor. Ainda tenho um sonho: ter uma serra manual, para me lembrar do tempo que cortei as tábuas da minha casa”, comenta Luiz, emocionado.

Elio, que é um dos maiores entusiastas do projeto, afirma: “o prazer de ter esse espaço não tem dinheiro que paga. Já ofereceram bons valores em dinheiro por algumas peças e não vendemos. Estar com os amigos é um presente de Deus, o amanhã não se sabe. Nunca me arrependi de ter voltado para casa, e me orgulho do meu filho também querer ficar e continuar essa história que meus pais construíram com tantas renúncias”.

Além da paixão de preservar a história, Loreni se dedica a um belo orquidário. Sua coleção começou quando ainda moravam no Rio Grande do Sul, através de uma orquídea amarela que recebeu de presente. Uma muda desta ainda está com a família, e o que começou como coleção, tornou-se uma considerável fonte de renda.

Fonte: CEMAC




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