Brasil substituirá soja dos EUA na China?

Publicado em 30 de agosto de 2018

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Poucos membros da comunidade agrícola mundial estão acompanhando a guerra tarifária entre Estados Unidos e China mais de perto do que os produtores e exportadores de soja no Brasil, disse especialista em comércio da Texas A & M University. A informação foi divulgada esta semana pelo site Delta Farm Press.

Como a maioria dos produtores de soja dos Estados Unidos sabe, o Brasil tornou-se o principal concorrente do país nos mercados mundiais de soja. Até agora, a China comprou soja dos  brasileiros quando os estoques dos Estados Unidos estavam indisponíveis.

“Eu estava no Brasil há duas ou três semanas e eles estavam muito interessados ​​no desenvolvimento das políticas comerciais entre Estados Unidos e China”, disse o Dr. Luis Ribera, diretor do Centro de Estudos Norte-Americanos da Texas A & M University. "Eles estavam muito interessados ​​no que estava acontecendo e em como as coisas poderiam ser resolvidas".

Os produtores dos Estados Unidos enviavam US$ 12 a US$ 14 bilhões em soja para a China anualmente. As vendas caíram acentuadamente quando o governo Trump impôs tarifas de 25% por cento sobre US$ 60 bilhões das exportações da China para os Estados Unidos. A China também respondeu com tarifas de 25%, principalmente em produtos agrícolas norte-americanos.

Muitos acreditam que o Brasil é o mais propenso a assumir o papel dos Estados Unidos como principal fornecedor de soja para o crescente setor pecuário da China, dado o crescimento fenomenal como produtor de soja e como participante da economia mundial, diz Ribera.

O Brasil, que tem uma população de mais de 200 milhões de habitantes, aumentou seu PIB (produto interno bruto) em uma taxa anual média de 15,2% (de US$ 736,6 bilhões para US$ 2,08 trilhões desde 2005). A renda per capita aumentou de US$ 3.910 para US$ 10.035 no mesmo período. "Eles estão muito interessados ​​em tentar obter uma maior participação de mercado para suas exportações agrícolas", disse Ribera.

Desde 1977, os agricultores brasileiros aumentaram suas plantações de soja em cinco vezes - de 7,07 milhões para 35,09 milhões de hectares. Acredita-se que os agricultores dos Estados Unidos tenham plantado 88,2 milhões de acres ou 35,7 milhões de hectares em 2018.

"Eles expandiram bastante a produção de soja", disse Ribera. “Mas a segunda coisa que eles expandiram muito é o milho da segunda safra. No Centro-Oeste - Mato Grosso do Sul e Goiás - aumentaram a produção de soja, seguida da produção de milho. Então, basicamente, eles duplicam. Assim que colhem soja, plantam milho”, explicou aos leitores norte-americanos.

"Em termos de produtividade da soja, eles estão muito próximos do que vemos nos Estados Unidos. Mas eles se tornaram muito mais eficientes em termos de rendimento para todas as suas colheitas, em comparação com o que eram há apenas alguns anos."

As autoridades brasileiras anunciaram recentemente que acreditam que os produtores de soja do país excederão os dos EUA na safra de 2017-2018, com os produtores brasileiros colhendo 117 milhões de toneladas, em comparação com um total de 116,48 milhões de toneladas para aqueles nos EUA.

Entre 1977 e 2017, os três estados do Centro-Oeste brasileiro - os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás - aumentaram sua produção de grãos em 340%, algo chamado milagre brasileiro, observou Ribera. Agora especialistas em cultura estão se perguntando o quanto os agricultores na nova área de expansão do MATOPIBA + PA, uma região a nordeste do centro-oeste, podem aumentar sua produção nos próximos 20 anos.

No curto prazo, disse Ribera, os meses de outono serão um grande teste do que acontece com as exportações de soja norte-americana. É quando a maior parte da safra de soja 2017-18 do Brasil terá se esgotado e os chineses terão que recorrer a outras fontes - como os Estados Unidos - para a soja.

Fonte: Delta Farm Press




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