Pesquisa usa bioacústica para avaliar comportamento de bovinos

Publicado em 03 de abril de 2018

Comentário(s)

Para os produtores, saber detalhes do comportamento animal no pastejo auxilia diretamente no manejo do rebanho. 

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) validaram um método de bioacústica para avaliação de comportamento de bovinos em pastejo e disponibilizaram um manual prático e detalhado com todos os procedimentos de coleta e análise de dados para o uso desta metodologia.

O material é inédito e de utilidade para pesquisadores e estudantes da área. A bioacústica, estudo dos sons produzidos pelo organismo do animal, é um meio eficiente e conhecido para a caracterização do comportamento de bovinos, porém, faltava um documento orientador para auxiliar na padronização do método durante sua aplicação.

Pesquisadores já utilizam gravadores de som para monitorar o comportamento ingestivo e de pastejo de bovinos, mas não havia um passo a passo de como fazer o procedimento e analisar os áudios. Para isso, foi realizada a avaliação com os gravadores nos animais e as observações visuais, para poder comparar e validar o método da bioacústica. A validação foi realizada em relação ao método de avaliação visual, durante 60 dias, com novilhas Girolando em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), em Porto Velho (RO). “O método é prático e permite o registro de forma precisa e contínua nos períodos diurno e noturno das atividades de pastejo, ruminação, ócio e ingestão de água, o que diminui a possibilidade de subestimação ou superestimação dos resultados”, relata Eduardo Schmitt, professor da Universidade Federal de Pelotas.

Mais autonomia para o monitoramento

A pesquisadora da Embrapa Rondônia Ana Karina Salman, explica que o trabalho de validação mostrou boas vantagens para o método da bioacústica em relação ao visual. Em geral a avaliação visual se restringe ao período diurno e com duração média de 12h, já com o gravador é possível monitorar o animal durante o dia e a noite por 48h ininterruptas. Ela conta que queriam saber, por exemplo, se o animal na pastagem sombreada consumia menos água e pastejava por mais tempo do que na pastagem a pleno sol. Na prática, pelo método visual, não conseguiu diferenciar. No entanto, analisando os áudios foi possível identificar que o número de vezes e o tempo que os animais bebiam água na pastagem a pleno sol foi maior e o tempo de pastejo foi menor do que os animais que estavam em pastagem sombreada.

Considerando as avaliações durante o dia, as informações obtidas sobre os tempos de pastejo, de ócio e de ruminação foram iguais em ambos os métodos. O que demonstra a funcionalidade do uso dos gravadores em substituição ao método visual. “Facilitou o processo, conseguimos ver coisas mais detalhadas e obter mais respostas. É simples o uso, mas precisava de um manual a ser seguido”, argumenta Salman.

 

Método visual X bioacústica

O método visual é utilizado desde a década de 1980 para a avaliação do comportamento animal. Essa análise implica ficar no campo, olhando os animais e anotando em planilhas o que os bovinos fazem a cada cinco, dez ou 15 minutos, observando com um binóculo, para não interferir no comportamento. “Se eles perceberem que tem alguém os observando, alteram o comportamento. Essa ainda é a forma mais comum de avaliação do comportamento de bovinos e que está registrado como método na maioria dos trabalhos já publicados”, conta Salman.

A bioacústica se mostra potencialmente mais eficaz para identificar as alterações comportamentais, sendo possível obter registros contínuos. Para utilizar o método da bioacústica, são necessários gravador MP3, cabrestos, tecido TNT, filme de PVC e fita de empacotamento.  A análise dos áudios é realizada com o auxílio do programa Audacity, um software livre (gratuito) que reproduz os áudios captados pelos gravadores. Este programa gera espectogramas dos áudios que são específicos de cada atividade exercida pelos animais, dessa forma é possível identificar os tempos de início e fim de cada uma.  De acordo com Eduardo Schmitt, professor da Universidade Federal de Pelotas,  “é uma metodologia relativamente barata e fácil de ser utilizada porque não envolve o uso de equipamentos ou programas computacionais caros e de difícil aquisição”.

Para os produtores, saber detalhes do comportamento animal no pastejo auxilia diretamente no manejo do rebanho. A pesquisadora dá um exemplo: se o profissional informa ao produtor que no início da manhã e final da tarde é o horário de pico de pastejo, o pecuarista não vai prender os animais no curral nesses momentos, buscando a mínima interferência e a máxima eficiência da atividade de pastejo.

Fonte: Embrapa




Comente


Leia também

Conhecer para Cooperar

02 de setembro de 2016

Dia Nacional do Campo Limpo envolve 1.200 crianças em Chapecó

18 de agosto de 2016

Cooperalfa reuniu quadro de lideranças em agosto

14 de outubro de 2016

Gestão das propriedades em Ipuaçú

23 de agosto de 2016

As oportunidades da crise

01 de setembro de 2016

Identificada nova praga de pastagens em Santa Catarina

23 de agosto de 2016

Cooperalfa inicia o ano do seu cinquentenário

05 de janeiro de 2017

Contatos Cooperalfa

Contatos dos setores

Trabalhe na Cooperalfa

Ligar para matriz
(049) 3321-7000

Av. Fernando Machado, 2580-D
Passo dos Fortes
Chapecó / SC