Oferta de soja na safra 2017/2018 deve chegar a níveis históricos

Publicado em 06 de fevereiro de 2018

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Segundo dados do USDA, área total de soja nos EUA e América Latina deve crescer 5,1% comparada com a ultima temporada

A oferta de soja em grão na safra 2017/18 pode ficar muito próxima da temporada anterior, enquanto a demanda para esmagamento deve seguir firme e recorde – assim como as ofertas de farelo e óleo, conforme indicam pesquisadores do Cepea.

As transações de soja em grão e derivados também devem ser recordes. No agregado, a relação estoque final/consumo de soja, no entanto, pouco deve se alterar, cedendo ligeiramente em relação à temporada anterior, indo para 32,6%, mas, ainda assim, nos maiores patamares da história. Portanto, não é de se esperar grandes alterações nos preços da soja no curto e médio prazos. Somente choques mais expressivos de oferta podem mexer com mais intensidade nas cotações no correr de 2018.

Segundo dados do USDA, com áreas recordes cultivadas com soja no Brasil e nos Estados Unidos e crescimento do cultivo na Argentina, China, Paraguai, entre outros, a soja ocupará em 2017/18 (safra já colhida no Hemisfério Norte) 126,5 milhões de hectares, 5,1% a mais que na temporada anterior.

Porém, espera-se que a produtividade se reduza em 5,5%, depois de ter tido crescimento de quase 12% na temporada anterior. Enquanto o clima foi extremamente favorável na temporada 2016/17, na atual, o clima oscilou nos Estados Unidos e houve baixa umidade no período de cultivo no Brasil e na Argentina. Entretanto, as chuvas abundantes durante a segunda quinzena de dezembro podem favorecer recuperação das lavouras e resultar em produtividade acima da estimada até o momento.

Por enquanto, a estimativa é que a oferta agregada possa ficar 0,8% menor que na temporada passada, em 348,5 milhões de toneladas. O USDA estima produção de 108 milhões de toneladas no Brasil (-5,35%) e de 57 milhões de toneladas na Argentina (-1,38%); se isso se confirmar, os Estados Unidos seriam os únicos com produção recorde nesta temporada, a 120,43 milhões de toneladas (+3%).

Do lado da exportação, estima-se que o Brasil exporte 65,5 milhões de toneladas na temporada 2017/18, 3,7% a mais que em 2016/17. Para os Estados Unidos, são previstos embarques de 60,6 milhões de toneladas (+2,4%) e, para a Argentina, 8,5 milhões de toneladas (+21%).

Diante destes dados, observa-se que a demanda mundial por soja está firme, ainda sustentada por sua efetividade na geração de farelo e óleo. A preferência de produtores em cultivar a soja em detrimento de outros grãos e cereais mantém estável a oferta da oleaginosa na safra 2017/18. Porém, ao longo dos anos, observa-se que a rentabilidade de produtores está em queda e as margens de esmagadores não se ampliam.

O que pode mudar este cenário é o dólar e, por ser um ano eleitoral, é difícil prever uma tendência. As negociações futuras apontam câmbio entre R$ 3,23 e R$ 3,25 para os vencimentos de Fev/18 a Jul/18.

Biodiesel

A possibilidade de antecipação da mistura de 10% de biodiesel (B10) ao diesel mineral, que poderá se iniciar a partir de março/2018, pode favorecer maior esmagamento de soja no mercado doméstico. Vale lembrar que a indústria brasileira de esmagamento de soja opera com ociosidade média de cerca de 1/3 da capacidade instalada. A medida pode elevar a demanda por óleo de soja bruto, exigindo, consequentemente, maior esmagamento de soja. O óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de biodiesel, com participação entre 75% e 80%, segundo dados da Abiove, compilados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Entretanto, com maior processamento de soja, visando maior oferta de óleo bruto, o desafio das indústrias brasileiras pode ser o de vender o farelo de soja. Com isto, já há algumas indústrias sinalizando o interesse em reduzir ainda mais a exportação do óleo, destinando-o ao mercado interno, podendo, com isso, elevar a participação nos leilões da ANP para oferta biodiesel, sem precisar aumentar o processamento do grão.

Fonte: Cepea/Esalq




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