Opinião: tendência para o mercado de grãos

Publicado em 17 de janeiro de 2018

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*Lourenço V. Lovatel

A previsão do fenômeno La Nina nesse verão não aconteceu. Ao contrário, em alguns pontos, choveu até acima da média, especialmente em janeiro. Resultado: praticamente 100% da safra brasileira de grãos está consolidada, restando apenas observarmos o plantio de milho no Brasil Central e o andamento da safrinha do Sul. Se o tempo continuar favorecendo, a safra de milho brasileira poderá chegar a 70 milhões de toneladas.

Em termos mundiais, há abastecimento suficiente de grãos, até com excedentes. O que deixa o Brasil inseguro, atualmente, é a esfera política, judiciária e econômica. Esse dilema é presenciado aqui, e em alguns outros países subdesenvolvidos, que representam muito pouco em termos planetários. Estamos olhando demais para nosso umbigo e de menos para o restante do mundo.

Os investidores externos nos veem com bons olhos, especialmente pelo andamento da operação Lava-Jato. Isso é sinal, para eles, que queremos melhorar, purificar as instituições. Se nossa justiça continuar fazendo bem seu papel, mais dinheiro externo virá para cá. Temos água, luz, terra e gente capaz. Em injetando investimentos externos na nossa economia, a tendência é de baixa do dólar. Esse fator poderia afetar o preço dos cereais, depreciando-os? A resposta é sim, nem que seja de forma sutil e, pontualmente.

Vamos arriscar: se o dólar, na eventualidade de despencar abaixo de R$ 3,00, certamente os preços atuais de grãos não se sustentariam. Simples de entender: se, a nível internacional, o dólar estiver desvalorizado, nossa moeda o REAL, fica mais forte. Em outras palavras: menos REAIS, compram mais DÓLARES. Então eu pergunto: resolve vender soja de R$ 70,00 a dólares de R$ 2,30? Não. No entanto, se for vendia a soja de R$ 60,00 a um dólar de R$ 2,90 é muito mais vantajoso.

Se esse dólar mais baixo se confirmar, provavelmente as negociações de insumos para 2018, possam acontecer em patamares diferentes que no ano passado, favorecendo, inclusive, a relação de troca ao produtor.

É necessário olharmos para a economia de maneira global. Será que a economia vai reagir de forma satisfatória nesse ano? Lembro que o consumidor está relativamente retraído, detém pouco dinheiro para consumo. Isso pode refletir a preços agrícolas menores.

Continua a velha máxima, de vender em parcelas, afinal, ninguém acerta o olho da mosca. O segredo é olhar com carinho os detalhes da porteira pra dentro, acompanhar com atenção o clima nos EUA e da América do Sul, a safrinha de milho -, pois a grande safra passou a ser a de julho, agosto e setembro do Brasil Central, enquanto a nossa, do Sul, virou “pequena” – e ver os reflexos dos encaminhamentos políticos. A cada passo, parece termos um novo Brasil, e tudo isso afeta o cenário de preços.

* Lourenço Lovatel é gerente comercial da Cooperalfa




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