Brasil lista 20 pragas agrícolas mais importantes que ainda não chegaram ao País

Publicado em 05 de outubro de 2017

Comentário(s)

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Embrapa elaboraram, pela primeira vez em conjunto, uma lista com as 20 pragas quarentenárias ausentes prioritárias para ações de vigilância e pesquisa, que ameaçam, caso entrem no País, culturas como milho, soja, mandioca, batata, arroz e várias frutas. Três das pragas listadas já contam, inclusive, com planos de contingência. Existem atualmente cerca de 500 pragas quarentenárias – entre fungos, insetos, bactérias, vírus, nematoides e plantas daninhas – oficialmente reconhecidas como ausentes no Brasil.

Em 2007, o Ministério publicou a Instrução Normativa nº 52, que estabeleceu a lista de pragas quarentenárias ausentes e presentes. A publicação dessa lista é uma das obrigações do País como membro da Convenção Internacional para Proteção dos Vegetais (CIPV). De acordo com o coordenador-geral de Proteção de Plantas do Mapa, Paulo Parizzi, essa convenção prevê que os países devem publicar listas de pragas regulamentadas a fim de que os outros países e parceiros comerciais possam ter mais clareza quanto às ações que cada um toma para evitar a introdução de pragas, uma vez que as medidas fitossanitárias devem ser tomadas para pragas que sejam regulamentadas pelo País. “A priorização é importante porque permite desenvolver um trabalho mais focado nas necessidades específicas de cada praga destacada, visando a evitar sua introdução e melhor preparo caso entrem, e dessa forma adotar as medidas necessárias para sua erradicação e controle.”

De acordo com Paulo Parizzi,  a parceria entre o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV/Mapa) e a Embrapa traz benefícios tanto para o trabalho de vigilância quanto para a pesquisa. “O DSV se beneficia por poder contar com especialistas para dar suporte científico às suas ações, enquanto a Embrapa tem a possibilidade de ver o resultado de suas pesquisas ser traduzido em ações de regulamentação. Assim, os esforços das duas instituições são somados na luta contra a entrada de pragas quarentenárias.”

Utilizando a metodologia de priorização AHP, as pragas foram ranqueadas de acordo com 20 critérios divididos em três grandes grupos: entrada; estabelecimento e dispersão; e impacto estimado.

Algumas das 20 pragas quarentenárias ausentes prioritárias

African Cassava Mosaic Virus – vírus (mandioca)

Considerada a doença mais significativa da cultura da mandioca, o mosaico da mandioca é causado por um complexo de diferentes vírus, predominante em todas as regiões de cultivo de mandioca da África subsaariana e no subcontinente indiano. Possui várias formas de transmissão, incluindo a enxertia e inoculação mecânica em espécies de plantas herbáceas. Também é propagada por meio de manivas (ramas) infectadas. Uma característica fundamental das áreas geográficas gravemente afetadas pelo mosaico é a presença de grandes populações de moscas-brancas nas plantações, eficiente vetor desse complexo viral. A transmissão é do tipo persistente, e o vírus pode ficar retido na mosca-branca por até nove dias. O African cassava mosaic virus é uma das principais espécies causadoras do mosaico, tendo sido inicialmente descrito em 1894.  A incorporação da resistência a essa doença nas variedades brasileiras tem sido alvo do programa de melhoramento da Embrapa.

 

Bactrocera dorsalis– inseto (frutíferas)

É uma espécie de mosca-das-frutas com alta capacidade reprodutiva. Ataca mais de 300 espécies de plantas, como goiaba, laranja, maçã, manga e pêssego. Está amplamente distribuída na Ásia (onde se originou), em locais como Índia, China, todo o Sudeste Asiático, Nova Guiné, ilhas do Pacífico Sul e Havaí, Filipinas e Palau. É a principal e mais destrutiva praga de frutas nos países em que se encontra e está entre as cinco principais pragas agrícolas no Sudeste Asiático. Sua introdução em novas áreas geralmente ocorre via transporte de frutos infestados, especialmente por passageiros aéreos e encomendas. Bactrocera dorsalis é uma ameaça para a fruticultura brasileira, pois o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo e exporta cerca de 800 mil toneladas de frutas frescas por ano, sendo a maior parte das fruteiras hospedeiras da praga.

Boeremia foveata – fungo (batata)

A gangrena-da-batata tem como agente etiológico o fungo Boeremia foveata. As culturas da batata, beterraba, cenoura, cevada, ervilha, cidra e quinoa são hospedeiras do fungo, que é nativo da região dos Andes. A praga foi relatada em mais de 40 países, distribuídos principalmente pela Europa e de forma mais restrita na Ásia, Oceania, África e América. O risco de introdução no Brasil deve-se à presença do patógeno em países fronteiriços (Colômbia e Peru), além do Chile na América do Sul. Esse fungo pode sobreviver no solo, mas a principal forma de dispersão se dá por trânsito de batatas-sementes infectadas. O risco de introdução é potencializado pela ausência de sintomas nos tubérculos durante o cultivo devido ao período de incubação do patógeno. Há o risco adicional de acometimento de outras culturas nacionais.

Brevipalpus chilensis – ácaro (kiwi, videira)

Ácaro conhecido como falso-ácaro-vermelho-chileno, tem como principal hospedeiro a uva, mas também ataca kiwi, limão, caqui, cherimoia, ligustro e várias flores e plantas ornamentais. O Brevipalpus chilensis foi descrito em 1949 em limões interceptados importados do Chile. Porém, espécimes guardados em museu são datados do início dos anos 1900. É reportado somente no Chile, especialmente a região temperada desse país, causando severos danos em uva para vinho tinto. Os ácaros se desenvolvem na parte de baixo das folhas, principalmente ao longo das nervuras, causando amarelecimento e encarquilhamento de folhas e morte de brotos. Devido ao seu tamanho diminuto, B. chilensis pode ser facilmente transportado em material vegetal vivo ou morto. É uma ameaça para cultivos de uvas no sul do Brasil.

Cirsium arvense – planta daninha (trigo, milho, aveia, soja)

O Cirsium arvense (L.) Scop. (cardo-canadense) é uma planta infestante extremamente nociva em climas temperados. Afeta lavouras de ervilha, milho, feijões, alfafa, beterraba açucareira, trigo, soja, pastagens e pradarias, entre outras. É de fácil dispersão com sementes minúsculas que podem ser conduzidas pelo vento a distâncias de até mil metros. Acredita-se que o centro de origem seja entre o Mediterrâneo e as zonas temperadas da Europa e sua distribuição nativa engloba norte da África e Eurásia Temperada, que inclui a Ásia menor, Sibéria, China e Japão. Foi introduzida na América do Norte e Hemisfério Sul e hoje se encontra em todas as províncias do Canadá, Nova Zelândia, África do Sul, Chile e sudeste da Austrália. A espécie merece atenção nos estados do Sul do Brasil, pois se apresenta morfologicamente semelhante a outros cardos já existentes nessa região, o que dificultaria sua detecção precoce.

Cydia pomonella – inseto (maçã)

Considerada a principal praga da maçã no mundo, trata-se de um inseto, uma mariposa. Os hospedeiros primários são a maçã, nozes, pera e marmelo, e secundários as frutas de caroço (pêssego, ameixa, nectarina, cereja e damasco). Embora atualmente seja considerada uma praga quarentenária ausente do Brasil, ocorreu entre 1991 até 2014, ano em que foi considerada oficialmente erradicada. No entanto,  sua presença na Argentina e ampla distribuição geográfica (América do Sul, América do Norte, vários países da África, Europa, Rússia, países do Oriente Médio e Austrália) tornam a probabilidade de uma nova introdução não desprezível. O impacto seria considerável, visto o alto potencial biótico da praga para  condições ambientais brasileiras. É uma praga de regulamentação internacional, o que faz com que países importadores das frutas brasileiras imponham restrições sanitárias.

Ditylenchus destructor – nematoide (milho, batata)

Nematoide com ampla gama de hospedeiros, que compreende mais de 90 espécies de plantas, sendo a batata a principal. Outras plantas hospedeiras são batata-doce, cenoura, beterraba, plantas daninhas e várias plantas ornamentais como lírio, tulipa, gladíolo e dália. D. destructor está presente na Europa, Ásia, África do Sul, América do Norte e Oceania. É de significativa importância econômica, causando grandes perdas na cultura da batata, principalmente na Europa e em vários países que formavam a União Soviética. Os efeitos de D. destructor podem ainda ser percebidos após a colheita ou durante o armazenamento dos tubérculos. A espécie é capaz de sobreviver à dessecação e baixas temperaturas. Após o desenvolvimento do nematoide, os tecidos tornam-se necrosados e há invasão de bactérias, fungos, ácaros e outros nematoides.

Pantoea stewartii – bactéria (milho)

É uma bactéria originária da América e afeta o milho, principalmente o milho doce, causando uma murcha conhecida como a doença de Stewartii. Os sintomas caracterizam-se por listras amarelas, encharcadas ao longo das folhas e pela murcha. A bactéria sobrevive em restos culturais e é transmitida por sementes. Uma forma importante de dispersão dá-se, ainda, pelo inseto-vetor, o besouro Chaetocnema pulicaria. A doença de Stewartii foi verificada, inicialmente, nos Estados Unidos, em 1898. Na Europa, existem relatos na Áustria, Grécia, Polônia, Romênia e Rússia, onde a bactéria é considerada de menor importância devido, provavelmente, à ausência do vetor. Sérios impactos econômicos podem ser considerados com a introdução da bactéria no Brasil devido à importância do milho como alimento ou commodity.

Striga spp. – planta daninha (milho, caupi)

Striga ou witchweed (erva-de-bruxa) é um gênero parasita do sistema radicular que drena nutrientes, carboidratos e água das plantas hospedeiras causando atrofia, murcha e clorose. Mais de 30 espécies de striga são reconhecidas no mundo, 80% das quais são endêmicas na África. Striga asiatica (L.) Kuntze é semiparasita de cereais como milho, sorgo e arroz e de cana-de-açúcar, e é considerada a espécie do gênero mais difundida pelo mundo. Ocorre na África, península arábica, Ásia e no fim do século XX já havia infestado 200 mil hectares na Carolina do Norte (EUA) antes de ser notificada. Striga hermonthica (Delile) Benth., também semiparasita, está adaptada a infectar gramíneas dos trópicos semiáridos da África. Já Striga gesnerioides (Willd.) Vatke tem o hábito holoparasita (parasitismo completo), sendo praga de fumo, feijão-caupi e batata-doce. Essa espécie ocorre no Leste da África e recentemente foi relatada na Flórida e Guiana.

Tomato ringspot virus – vírus (frutíferas e tomate)

Vírus que infecta fruteiras de clima temperado, como framboesa, amora, maçã, ameixa, cereja, pêssego, uva e morango, que são propagadas principalmente por mudas e estacas, perpetuando os vírus nos pomares, caso o material esteja infectado. Além disso, é transmitido por sementes de framboesa, morango, pelargônio, soja, tabaco e tomate. Também infecta pimenta, pepino, lírio e orquídeas. A disseminação a curta distância dentro do cultivo ocorre principalmente via vetor, que são nematoides. O vírus está amplamente disseminado na América do Norte e Europa, ocorrendo também na Austrália e Nova Zelândia, e de forma mais restrita na África, Ásia, América Central e América do Sul. A principal ameaça do vírus ao Brasil está representada por sua ampla gama de hospedeiros. Essa ameaça pode se tornar maior em virtude de trânsito de material vegetal infectado e solo com presença de nematoides transmissores.

Embrapa




Comente


Leia também

Conhecer para Cooperar

02 de setembro de 2016

Dia Nacional do Campo Limpo envolve 1.200 crianças em Chapecó

18 de agosto de 2016

Cooperalfa reuniu quadro de lideranças em agosto

14 de outubro de 2016

Gestão das propriedades em Ipuaçú

23 de agosto de 2016

As oportunidades da crise

01 de setembro de 2016

Identificada nova praga de pastagens em Santa Catarina

23 de agosto de 2016

Cooperalfa inicia o ano do seu cinquentenário

05 de janeiro de 2017

Contatos Cooperalfa

Contatos dos setores

Trabalhe na Cooperalfa

Ligar para matriz
(049) 3321-7000

Av. Fernando Machado, 2580-D
Passo dos Fortes
Chapecó / SC