Ventos desfavoráveis para o produtor de leite

Publicado em 22 de setembro de 2017

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O recuo na cotação do leite no campo continua ocorrendo em razão da demanda enfraquecida por lácteos na ponta final da cadeia produtiva.

O produtor de leite enfrenta uma soma de desafios . A produção aumenta, a importação não cessa e o consumo cai. O resultado é inevitável: os preços pagos pelos laticínios na compra da matéria-prima dos produtores rurais vão se achatando.

Essa situação foi aferida neste mês pelo Conselho Paritário Produtor/Indústrias de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite/SC), que esteve reunido nesta semana em Joaçaba para definir os valores de referência para o mês.

De acordo com projeção do Conselho, o leite entregue em setembro a ser pago em outubro terá uma redução de 7% nos valores de referência. Os valores projetados são os seguintes: leite acima do padrão R$ 1,0910/litro; leite padrão R$ 0,9487 e abaixo do padrão R$ 0,8625. Os valores se referem ao leite posto na propriedade com Funrural incluso.

O movimento de queda no preço do leite recebido por produtores, neste ano iniciado precocemente em junho, intensificou-se em agosto e segue o mesmo ritmo em setembro. O recuo na cotação do leite no campo continua ocorrendo em razão da demanda enfraquecida por lácteos na ponta final da cadeia produtiva.

“O consumo de lácteos está diretamente relacionado ao aumento da renda e o menor poder de compra do consumidor brasileiro segue desaquecendo o mercado. Além do baixo consumo, o aumento da oferta e as importações de leite também contribuíram para a queda dos preços no campo”, avalia o presidente do Conseleite/SC e vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Adelar Maximiliano Zimmer.

Zimmer alertou que a queda esse mês foi geral. “Houve redução em derivados e também no leite em pó. Isso nos preocupa. Os valores estão se comparando aos de 2013 quando foram registrados pela última vez os menores valores praticados. Uma das opções que poderia amenizar a situação seria a compra do excedente de leite por parte do governo”.

Expressão Nacional

A produção catarinense cresceu. Só o sistema Cooperativa Central Aurora Alimentos – que industrializa mais de 450 milhões de litros por ano – registrou 57% de aumento no período de abril a agosto deste ano.

Santa Catarina é, agora, o quarto produtor nacional. O Estado gera 2,9 bilhões de litros ao ano. Praticamente todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O Oeste catarinense responde por 75% da produção. Os 80 mil produtores de leite (dos quais, 60 mil são produtores comerciais) geram 8,3 milhões de litros/dia, mas, a capacidade industrial está estruturada para processar até 10 milhões de litros de leite/dia.

MB Comunicação




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