Dirigentes cooperativistas debatem economia e intercooperação

Publicado em 04 de setembro de 2017

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A Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Santa Catarina (SESCOOP/SC) promoveu na semana passada o Fórum Catarinense de Dirigentes Cooperativistas, em Santo Amaro da Imperatriz, reunindo 200 líderes para a discussão de temas da atualidade.

O presidente Luiz Vicente Suzin instalou o Fórum assinalando a importância da atualização dos dirigentes para a compreensão dos cenários de desafios, mudanças e transformações pelos quais passa a sociedade brasileira. “As informações se transformam em conhecimento e nos orientam para a ação”.

“Intercooperação e alianças estratégicas” foi o tema da preleção do engenheiro agrônomo, consultor e empresário Marcelo Prado. Sexto princípio do cooperativismo internacional, a intercooperação significa que as cooperativas trabalham de forma integrada para servir melhor seus cooperados (associados).

O palestrante discorreu sobre sete obstáculos para a intercooperação: individualismo e oportunismo, vaidade, falta de confiança, diferenças culturais, concorrência, perda de autonomia e falta de formalização de acordos.

Sugeriu alianças estratégicas ancoradas nos diferenciais comparativos e, também, na competência central de cada um para a geração de valor aos parceiros. Destacou que essas alianças produzem resultados notáveis: os parceiros estruturados atingem 90% de sucesso e as empresas engajadas obtêm 20% a mais de lucratividade. Por outro lado, os fracassos nas alianças decorrem de valores éticos incompatíveis, ausência de regras claras, indefinição do papel de cada parceiro, falta de alinhamento da organização com a aliança e falta de comprometimento.

“O desafio dos líderes é identificar as oportunidades e conhecer os diferenciais, ter transparência e excelência na gestão”, ensinou Marcelo Prado.

Fim da Recessão

“A recessão chegou ao fim”, asseverou o professor, escritor e economista Eduardo Gianetti da Fonseca ao fazer uma “Análise da atual conjuntura econômica brasileira e as suas perspectivas”. Ele focalizou as mudanças e transformações ocorridas nos últimos doze meses na economia e na política brasileira. “A situação estava muito ruim (inflação, taxa de juros, desemprego) e, agora, é necessário reconhecer, que o quadro melhorou.”

Elogiou a competência e a credibilidade da equipe econômica, não apenas a do Ministério da Fazenda, mas, também, a do Banco Central, do BNDES, da Petrobras. Destacou que a inflação está sob controle, a taxa de juros melhorou e o desemprego começou a ceder. O PIB cresceu no primeiro trimestre 1%, também cresceu no segundo semestre algo em torno de 0,5% (índice oficial ainda não divulgado). Prevê que 2017 fechará com crescimento ente 0,5% e 1% e, em 2018, suba para 2% a 3%.

“Saímos da UTI mas ainda estamos em convalescença. A situação melhorou, mas a retomada do crescimento será lenta. O mercado está reagindo com mais resiliência às crises políticas e isso é bom”, comentou.

Para Eduardo Gianette, o equacionamento da grave crise fiscal brasileira deve ser a prioridade máxima do atual e dos futuros governos.  Observou que em 1988, quando foi promulgada a atual Constituição Federal, a arrecadação total de tributos das três esferas (Municípios, Estados e União federal) era de 24% do PIB e os investimentos representavam 3% do produto interno bruto.

Em 2017, o Estado brasileiro arrecada 35% do PIB, gasta tudo e ainda se apropria de mais 9% do PIB. Ou seja: 44% da renda nacional transita pelo Estado brasileiro, na forma da carga tributária bruta (35%) mais o déficit nominal (9%). Em contrapartida, investe apenas 2% em capital físico (infraestrutura e em outros setores essenciais para o crescimento nacional) e em capital humano (saúde, educação etc.).

O economista enfatiza que o governo precisa atacar com coragem as duas maiores despesas – a Previdência e os juros – que somam 22% do PIB. A previdência oficial precisa ser revista: os 4,2 milhões de aposentados do setor público geram déficit de R$ 155 bilhões, enquanto os 28,3 milhões de inativos do setor privado geram R$ 149 bilhões de déficit.

Vocação

O Brasil tem uma forte vocação para o cooperativismo e isso está expresso nas 6,5 mil cooperativas brasileiras com 12 milhões de associados e 350 mil empregados diretos. A observação é do professor da Fundação Getúlio Vargas Cláudio Tomanini ao iniciar a palestra “Gestão de Negócios – Empreender e ter Sucesso”. Lembrou que as cooperativas respondem por 70% do trigo, 40% da soja, 40% do leite, 38% do algodão, 21% do café e 16% do milho. Porém, há grande margem para crescer – como a Alemanha onde 35% da população fazem parte das sociedades cooperativistas.

– “O mercado mudou, o mundo mudou em uma velocidade absurda, são inúmeros os desafios para atender clientes cada vez mais exigentes, que demandam capacidades diferenciadas. Hoje os dirigentes estão diante de um cenário globalizado e essas mudanças exigem um novo perfil profissional; mais dinâmico e em constante mutação. As exigências do mercado mudaram e os profissionais precisam mudar também para se manter competitivos. As cooperativas vivem um momento de rever suas estruturas para adequá-las ao atual cenário e este processo vai além de uma simples avaliação do seu número de funcionários.”

Fonte: MB Comunicação




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