Baixo preço e maior custo de plantio reduzem safra de milho em SC

Publicado em 14 de setembro de 2017

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O plantio de milho em Santa Catarina terá redução de aproximadamente 20% na próxima safra, segundo estimativas de lideranças do setor. O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola ainda está levantando dados, mas entidades como a Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro) já fazem previsões de redução da área plantada.

“Houve uma diminuição no interesse do plantio e até agora temos uma demanda de semente 20% inferior ao ano passado – afirma o diretor-executivo da Fecoagro”, Ivan Ramos.

Em uma das afiliadas da federação, a Cooperativa Agroindustrial Alfa, a redução é ainda maior. “Nos 65 municípios de abrangência da Cooperalfa, a média geral é de 34% de redução da área de milho”, aponta Leonardo Ferronato, do setor comercial da cooperativa.

Para ele, a queda é resultado de dois fatores. Um deles é o custo de produção. Enquanto o plantio de milho exige R$ 3,2 mil de investimento, a soja demanda menos da metade, R$ 1,2 mil.

Outro motivo é o baixo preço do milho, de R$ 23,50 a saca de 60 quilos em Chapecó, contra R$ 59,50 da saca de soja. O cereal tem maior produção por hectare, mas se torna atrativo apenas quando o preço fica próximo da metade do valor da soja. “Eu não vou plantar nenhum grão de milho”, desabafa o agricultor Flávio Fonseca, de Chapecó.

No ano passado, ele plantou 40 hectares e colheu cerca de 10 mil sacas. Mesmo assim, contando as despesas com sementes, adubação, mão de obra e depreciação das máquinas, sobrou pouco. “Quando plantei, o milho custava R$ 47 a saca. Agora vendi a R$ 23,24. Para cobrir o custo de produção, tem que colher 150 sacas por hectare. Se der uma estiagem, não cobre o custo”, calculou.

Entidades estudam união com Argentina e Paraguai

No ano passado, o preço da saca de milho chegou perto de R$ 50 para o produtor e quase R$ 60 para a indústria. Os agricultores se animaram e aumentaram a área de milho em 8% no Estado, investiram mais para aumentar a produtividade e a produção cresceu 20%, passando de 2,7 milhões de toneladas para 3,2 milhões. Porém, com o aumento, o preço despencou e agora a previsão é de redução de plantio nos três Estados do Sul.

“Tivemos um preço anormal e o agricultor investiu, mas agora temos um valor desestimulador e o plantio vai cair. A indústria tem que começar a pensar em produtores de milho integrados para evitar esse desequilíbrio”, afirma o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.

Como Santa Catarina tem pouca área para plantar, cerca de 1 milhão de hectares, sendo que 400 mil foram destinados para o milho no ano passado, produtores e indústrias da carne são obrigados a buscar o grão fora do Estado. A alternativa é trazer do Centro Oeste, mas a despesa com o frete chega a ser até maior do que o custo do produto. Por isso, entidades do setor estão buscando uma alternativa de trazer o cereal do Paraguai pela Argentina. A economia com a manobra, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, seria de até 70%.

Nesta sexta-feira, 15 de setembro, haverá uma reunião de prefeitos e lideranças do Mercosul em Major Otaño, no Paraguai. Lá será tratada a possibilidade de atravessar o milho em barcas pelo Rio Paraná, até Eldorado, na Argentina, e depois seguir de caminhão por Dionísio Cerqueira, no Oeste catarinense.

Impacto na produção de carnes

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia, Dirceu Talamini alerta que Santa Catarina corre o risco de perder a liderança na produção de suínos, assim como aconteceu com o mercado de aves, quando o Paraná assumiu a ponta de maior produtor do país. “Se houver uma frustração de clima ou uma exportação muito grande, poderemos ter problema de escassez de milho, como ocorreu no ano passado”, afirma Talamini.

Mesmo com safra cheia, o déficit do grão no Estado, que será de 3 milhões de toneladas em 2017, vai aumentar no próximo ano. Por enquanto há grande volume de milho disponível, o que garante bom abastecimento até o início de 2018, porém, uma estiagem pode provocar queda na produção e aumentos de preço e custos. Em 2016, por exemplo, o custo de produção de aves e suínos aumentou cerca de 30%, recuando após a boa safra deste ano.

Uma nova elevação teria impacto sobre o consumidor, pois pressionaria para cima preços da carnes e leite. O pesquisador da Embrapa sugere que o Estado comece a adotar culturas de inverno que possam ser utilizada na ração animal.

Procura por sementes diminuiu, diz secretário

O secretário de Estado da Agricultura, Moacir Sopelsa, também calcula queda de 15% a 20%. Segundo ele, nesse mesmo período do ano passado, já tinham sido solicitadas 170 mil sacas de sementes dentro do Programa Terra Boa. Neste ano, porém, foram 150 mil. No total, o programa subsidia 220 mil sacas de milho e 300 mil toneladas de calcário para serem pagos na safra. Somente neste ano serão R$ 51 milhões em subsídio.

Diário Catarinense / Darci Debona




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